Após denúncia de censura, Flipei confirma programação em SP

Evento gratuito, que começa hoje (6/8) e vai até domingo (10/8), reúne debates políticos, literatura e música em quatro espaços no centro da cidade. Na sexta (8/8) a repórter da Ponte Catarina Duarte media mesa sobre segurança pública

A mesa com Ilan Pappé e Thiago Ávila, parte da programação da Filpei deste ano, será realizada hoje (6/8) no Galpão Elza Soares, no centro de São Paulo | Foto: Divulgação

A Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei) começa nesta quarta-feira (6/8) em São Paulo, com uma programação gratuita que se estende até domingo (10/8). O evento foi transferido para novos espaços no centro da cidade após a proibição de uso da Praça das Artes, onde aconteceria.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, a organização da Flipei afirmou ter sido informada da decisão na noite da última sexta-feira (1/8) — cinco dias antes do início do evento. O ofício foi assinado por Abrão Mafra, diretor da Fundação Theatro Municipal de São Paulo (FTM), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Cultura, comandada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). No texto, Mafra alegou que o evento possuía “conteúdo e finalidade de cunho político-ideológico”.

Leia também: ‘Trator por cima da cultura’: Teatro de Contêiner pede apoio e atribui despejo a plano higienista em SP

“O ofício da FTM, enviado às vésperas do evento, deixa claro o incômodo com os temas abordados pela festa”, afirmou a organização, em nota. “O atual lobby sionista, acionado por diversas instituições contra a questão palestina, também se estende aqui”, continua o texto.

A última afirmação se refere a uma das mesas da programação, que discute a questão palestina com a presença do historiador judeu Ilan Pappé — referência internacional na história da Palestina e crítico do Estado de Israel — e do militante Thiago Ávila, que participou de uma flotilha humanitária interceptada por forças israelenses.

Em nota enviada à imprensa, a Fundação reafirmou sua posição, classificando o evento como “exclusivamente de apelo ideológico, com indisfarçável viés eleitoral”. Afirma, ainda, que a realização da Flipei atrapalharia a volta às aulas no espaço.

Destaques da programação

Diante da censura, a organização da Flipei decidiu manter a programação, agora distribuída em quatro locais na região central de São Paulo: Galpão Elza Soares, Café Colombiano, Sol y Sombra e Casa Luiz Gama [confira os endereços abaixo].

A programação inclui debates sobre temas diversos, como inteligência artificial, mulheres na literatura, o desmonte da educação, a ocupação de espaços culturais populares e o racismo ambiental.

A mesa “Genocídio sionista e resistência na Palestina”, com Ilan Pappé e Thiago Ávila, acontece nesta quarta-feira (6/8), às 15h, no Galpão Elza Soares. A mediação será da jornalista palestino-brasileira Soraya Misleh.

Na sexta-feira (8/8), a repórter da Ponte Jornalismo Catarina Duarte media a mesa “Não acabou, tem que acabar: segurança pública em debate”, com participação de Almir Felitte (autor de História da Polícia no Brasil: Estado de exceção permanente?), Giselle Florentino (diretora executiva da Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial – IDMJR) e Igor Mendes (autor de Junho Febril).

A Flipei conta também com uma agenda musical que inclui shows de Rincon Sapiência, Lys Ventura, Dead Fish, o Baile da DJ Sophia e a banda Fera Neném.

Criada como contraponto à Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a Flipei surgiu no Rio de Janeiro e passou a ser realizada em São Paulo a partir do ano passado.

Assine a Newsletter da Ponte! É de graça

Serviço

O quê: Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei)
Quando: 6/8 a 10/8
Onde:

  • Galpão Elza Soares (Alameda Eduardo Prado, 474 – Campos Elíseos)
  • Café Colombiano (Alameda Eduardo Prado, 493 – Campos Elíseos)
  • Sol y Sombra (Rua Treze de Maio, 180 – Bela Vista)
  • Casa Luiz Gama (Rua Guaianases, 1435 – Campos Elíseos) 

Quanto: Gratuito

Confira a programação completa clicando aqui.

Já que Tamo junto até aqui…

Que tal entrar de vez para o time da Ponte? Você sabe que o nosso trabalho incomoda muita gente. Não por acaso, somos vítimas constantes de ataques, que já até colocaram o nosso site fora do ar. Justamente por isso nunca fez tanto sentido pedir ajuda para quem tá junto, pra quem defende a Ponte e a luta por justiça: você.

Com o Tamo Junto, você ajuda a manter a Ponte de pé com uma contribuição mensal ou anual. Também passa a participar ativamente do dia a dia do jornal, com acesso aos bastidores da nossa redação e matérias como a que você acabou de ler. Acesse: ponte.colabore.com/tamojunto.

Todo jornalismo tem um lado. Ajude quem está do seu.

Ajude

mais lidas

Sobre a sua privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.