Existimos para contar as histórias que o racismo apaga — histórias contadas por Déboras, Cristinas, Gislaines e tantas outras mães, movidas pela revolta e pela busca da justiça por seus filhos, arrancados pela violência de Estado

“Você vai aprender a baixar a cabeça e dizer sempre muito obrigado.”Esse trecho de Comportamento Geral, do Gonzaguinha, ficou martelando enquanto eu escrevia este texto.
A música é a antítese de tudo que vi na Ponte Jornalismo até aqui. Sei que o jogo que a letra propõe é o desconforto, a crítica ao mundo que o Gonzaguinha descreve. Mas, aqui dentro, como repórter, percebi que o comportamento geral de quem nós escutamos é outro.
É a revolta que move. É ela que vira combustível de luta. São mães que, depois de perderem seus filhos, passam a conhecer cada artigo do Código de Processo Penal para tentar garantir justiça. São mulheres que lutam para preservar a memória dos meninos e meninas que criaram, jovens mortos antes de conseguirem realizar qualquer sonho.
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São, em sua maioria, mulheres pretas, como eu, chorando por filhos pretos, como eu. E hoje, dias depois do feriado do Dia da Consciência Negra e dias antes da Marcha das Mulheres Negras, escrevo para reforçar o compromisso da Ponte com o jornalismo e com a justiça social.
A Ponte existe há 11 anos. São 11 anos de luta antirracista e em defesa da vida de pessoas negras. O jornalismo que fazemos é para ouvir Déboras, Cristinas, Gislaines e tantas outras. É para contar as histórias de Guilhermes, Gabrieis e Jonhatans.
Nada vai bem, não está fácil. Mas seguimos denunciando a letalidade policial e valorizando vidas negras.
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