Artigo | A Ponte amplifica a voz de quem o racismo tenta calar

    Existimos para contar as histórias que o racismo apaga — histórias contadas por Déboras, Cristinas, Gislaines e tantas outras mães, movidas pela revolta e pela busca da justiça por seus filhos, arrancados pela violência de Estado

    Ana Paula Oliveira, das Mães de Manguinhos, conversa com Zilda Maria de Paula, Mãe de Osasco, na entrega do Prêmio Marielle Franco de Direitos Humanos em SP, no dia 22/3/2024 | Foto: Daniel Arroyo / Ponte Jornalismo

    “Você vai aprender a baixar a cabeça e dizer sempre muito obrigado.”Esse trecho de Comportamento Geral, do Gonzaguinha, ficou martelando enquanto eu escrevia este texto.

    A música é a antítese de tudo que vi na Ponte Jornalismo até aqui. Sei que o jogo que a letra propõe é o desconforto, a crítica ao mundo que o Gonzaguinha descreve. Mas, aqui dentro, como repórter, percebi que o comportamento geral de quem nós escutamos é outro.

    É a revolta que move. É ela que vira combustível de luta. São mães que, depois de perderem seus filhos, passam a conhecer cada artigo do Código de Processo Penal para tentar garantir justiça. São mulheres que lutam para preservar a memória dos meninos e meninas que criaram, jovens mortos antes de conseguirem realizar qualquer sonho.

    Leia também: ‘A gente não quer mais sangue derramado’: pastores se juntam após Massacre do Alemão e da Penha

    São, em sua maioria, mulheres pretas, como eu, chorando por filhos pretos, como eu. E hoje, dias depois do feriado do Dia da Consciência Negra e dias antes da Marcha das Mulheres Negras, escrevo para reforçar o compromisso da Ponte com o jornalismo e com a justiça social.

    A Ponte existe há 11 anos. São 11 anos de luta antirracista e em defesa da vida de pessoas negras. O jornalismo que fazemos é para ouvir Déboras, Cristinas, Gislaines e tantas outras. É para contar as histórias de Guilhermes, Gabrieis e Jonhatans.

    Nada vai bem, não está fácil. Mas seguimos denunciando a letalidade policial e valorizando vidas negras.

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