Entre a realidade e você, a Ponte necessita de engajamento e apoio financeiro para cumprir a missão de amplificar as vozes menos ouvidas no debate público

Parafraseando o nosso slogan, não é fácil atravessar a ponte entre a realidade e você. Se veículos maiores e com muito mais estrutura do que a Ponte Jornalismo têm dificuldade em acessar mundos e pessoas que não constam no target dos planos de marketing das grandes empresas de comunicação, o que dirá para a imprensa independente, com suas equipes reduzidas e orçamentos enxutos.
Vencer a distância entre “morro e asfalto”, como se diz no Rio de Janeiro, ou atravessar até “o outro lado do rio”, na conhecida expressão paulistana, exige não só profissionais talentosos e comprometidos, mas uma boa rede de contatos e confiança estabelecida nesses territórios. Amplificar as vozes menos ouvidas no debate público brasileiro tem sido a grande vocação da Ponte.
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Nos últimos 11 anos, crimes cometidos pelos agentes do Estado contra indivíduos e coletividades periféricos, antes invisibilizados por uma mídia mais interessada nas atenções, views e assinaturas da zona sul do Rio ou da zona oeste de São Paulo — para mencionar apenas os estados citados acima —, ganharam mais destaque nas discussões do país. E este é um mérito que coube em parte a nós, ao trabalho incansável de uma equipe composta atualmente por apenas 8 pessoas, das quais 2 repórteres e 1 editor integram a redação.
Mas nosso trabalho não se restringe ao imenso universo de violações de direitos humanos ocorridos nas periferias do Brasil a cada ano, de prisões injustas — entre as quais a Ponte colaborou diretamente com a soltura de uma centena de pessoas —, de manifestações populares recebidas com violência e bombas pelas forças policiais ou do acompanhamento das audiências de instrução e júris populares de casos, notórios ou não, já abandonados pelos grandes veículos.
Da denúncia à busca de soluções
Em toda a sua existência, a Ponte se propõe à denúncia cotidiana dessas violações, mas também à discussão mais ampla de temas relacionados à segurança pública, direitos humanos, sistema carcerário, raça e gênero, que exigem empenho e investimento de tempo e esforços em busca de melhores diagnósticos e soluções.
Exemplo disso foi a série especial, publicada pela nossa repórter Catarina Duarte nas últimas semanas, sobre a situação de extrema angústia e violência vivida pelos Pataxós no sul da Bahia, onde a Polícia Militar do governador Jerônimo Rodrigues — que além de filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) tem, ele próprio, ascendência indígena — tem agido como uma espécie de força auxiliar dos fazendeiros na disputas dos povos originários por seu território ancestral.
O esforço e a dedicação de Catarina e do fotógrafo Rodrigo Zaim, em parceria da Ponte com a IDEAS – Assessoria Popular, resultaram em duas reportagens antológicas, lindamente fotografadas, que você pode reler aqui e aqui.
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A partir desta quarta-feira, dia 4 de junho, outra iniciativa ambiciosa da nossa equipe chegará às suas mãos. Trata-se da série “Segurança é Pública”, produzida em parceria com a Fundação Friedrich Ebert Stiftung – Brasil (FES), com nada menos que nove reportagens enfocando os diversos Fóruns Populares de Segurança Pública que têm se espalhado pelo país — trazendo as opiniões e soluções de quem efetivamente vive nos territórios-alvo da maior parte das operações policiais.
Todo esse trabalho custa esforço, mas também dinheiro. O jornalismo essencial que temos produzido aqui na Ponte está ameaçado pela conjuntura de queda nos apoios dos leitores e também de entidades financiadoras internacionais em um contexto de cerco do governo Donald Trump. Por isso, dependemos mais do que nunca das doações que recebemos de nossos leitores e parceiros.
Profissionais bem remunerados, equipamentos de trabalho e de segurança, proteção digital e jurídica são essenciais para o tipo de jornalismo que fazemos. Por isso, reiteramos aqui o pedido: faça um PIX de qualquer valor para nossa chave relacionamento@dev.ponte.org e nos ajude a seguir denunciando violações de direitos humanos na segurança pública e no sistema de justiça.
Engajamento também ajuda: curta, comente e reposte nossas reportagens nas redes sociais. Já provamos que, juntos, podemos efetivamente transformar a realidade social.
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