De hoje (2/10) até sábado (4/10), festival itinerante realizado pela Ponte, Alma Preta e Marco Zero chega à capital federal e reúne coletivos, veículos independentes e artistas para afirmar a comunicação como prática política

Corpos pretos, indígenas, periféricos e ribeirinhos, muitas vezes silenciados pelo jornalismo tradicional, estarão no centro do Festival FALA!. A sexta edição do encontro, que ocupa Brasília entre 2 e 4 de outubro, reúne veículos independentes e coletivos culturais para afirmar a comunicação como prática política e pensar futuros possíveis para a imprensa em meio à desinformação.
Criado pelo Instituto FALA! e realizado pela Ponte Jornalismo, Alma Preta e Marco Zero, o festival se consolidou como espaço de articulação entre iniciativas que entendem a comunicação não apenas como ferramenta de informação, mas como prática de resistência.
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“Promover eventos que reúnem comunicadores e suas perspectivas democráticas, atravessando cultura, arte e justiça social, é essencial para nós”, afirma Antonio Junião, cofundador da Ponte e um dos realizadores. “A curadoria do FALA! representa a pluralidade de reflexões sobre as mais diversas questões sociais brasileiras.”
Essa pluralidade aparece tanto na diversidade das mesas — que tratam de financiamento do jornalismo independente, políticas públicas, ética e narrativas em um mundo distópico — quanto na presença de artistas e coletivos locais. A proposta do festival é itinerante e já passou por Belém, Recife e Salvador. Confira a programação completa da edição deste ano aqui.
Conexão de pensamentos emergentes
“Nosso compromisso é levar o festival para além do Sudeste. Conectar comunicadores de todo o Brasil é um ato político, capaz de unir vozes e pensamentos emergentes aos contemporâneos”, completa Junião.
Para Pedro Borges, diretor do Instituto FALA! e cofundador do Alma Preta, a disputa central é por quem pode falar e produzir conhecimento. “Estamos falando de corpos pretos, indígenas, periféricos, que dentro do jornalismo tradicional não conseguem ser representados. O festival é o espaço para que essas pessoas falem, opinem e apresentem suas produções de conhecimento, nas linguagens e formas que acharem mais interessantes.”
No cenário atual, marcado pela desinformação e pela crise de confiança no jornalismo tradicional, Pedro defende que assumir posição é indispensável: “O jornalismo bancar até hoje uma falsa posição de neutralidade e imparcialidade gera uma crise de confiança. Falta assumir um posicionamento político-editorial.
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O festival é também um convite para pensar o jornalismo assumindo sua posição no mundo, sem se esconder atrás da ideia de imparcialidade.”
Ao misturar cultura e comunicação como linguagens de transformação, o Festival FALA! se coloca como espaço de resistência e criação. Como resume Junião: “Queremos ocupar territórios, dialogar com novas realidades e fortalecer redes de comunicação popular, mostrando que a resistência e a criação estão presentes em todos os cantos do país.”