Mãe acusa PM de violentar jovem em Sorocaba; vítima está internada em estado grave

Eliana Chaves Ribeiro afirma que policiais da Força Tática espancaram e violentaram seu filho com um caule de mamona na madrugada quinta-feira (18/9). Jovem de 25 anos segue internado na UTI do Hospital Regional de Sorocaba

Plantão Policial de Sorocaba, onde a mãe de André Luiz* prestou depoimento sobre as agressões sofridas pelo filho | Foto: Polícia CIvil/Divulgação

Um jovem de 25 anos está internado em estado grave no Hospital Regional de Sorocaba após ser brutalmente agredido e empalado por policiais militares da Força Tática na madrugada de quinta-feira (18/9), no bairro Jardim Nathália, zona norte da cidade — segundo denúncia feita pela mãe da vítima à Polícia Civil do Estado de São Paulo.

De acordo com o depoimento, registrado no Plantão Policial de Sorocaba na presença do delegado Régis Campos Vieira, Eliana Chaves Ribeiro relatou que foi acordada por vizinhos informando que algo havia acontecido com seu filho, André Luiz*. Ao sair de casa, encontrou o jovem caído na calçada, com a calça abaixada, um caule de mamona introduzido no ânus e marcas de espancamento pelo corpo.

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“Meu filho estava muito machucado, sangrando, com o rosto inchado. E ele mesmo falou para mim: foram policiais da Força Tática que fizeram isso”, disse Eliana.

André Luiz permanece na UTI, entubado em coma induzido, após passar por cirurgia para reparação do intestino. Agora, faz uso de bolsa de colostomia. A mãe relata que ele está sob custódia policial no hospital porque não retornou ao presídio após a “saidinha” de junho. “Independentemente disso, ninguém tinha o direito de fazer isso com ele”, afirma Eliana.

Segundo a mãe, André estava debilitado e não conseguiu fugir quando policiais da Força Tática entraram em uma área de mata próxima, usada por usuários de drogas. Testemunhas relatam que ele foi espancado e empalado, e depois deixado no meio da rua. Um casal que passava pelo local o levou até a porta da família, de onde a mãe acionou o SAMU.

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Eliana afirma que não busca indenização, mas a responsabilização dos policiais. Ela conta com o apoio de familiares, amigos e vizinhos revoltados, que chegaram a cogitar uma manifestação em frente ao Fórum de Sorocaba. Militante de uma ONG de Itu, a mãe já relatou que outros filhos foram ameaçados por policiais no passado.

O que diz a SSP-SP

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) foi questionada pela Ponte sobre as acusações contra a Força Tática, quais unidades estavam em operação na região na noite do crime e se há apuração em andamento sobre a conduta dos policiais citados.

Em nota, a SSP-SP informou que o caso foi registrado como captura de procurado e lesão corporal no Plantão Policial de Sorocaba. A pasta afirmou que a vítima, de 25 anos, foi encontrada ferida na Rua Professor Vicente Cafisso, no Jardim Nathália, e socorrida pelo SAMU ao Hospital Regional, onde segue internada sob escolta por ser procurada pela Justiça pelos crimes de roubo e corrupção de menores. Segundo a SSP, um inquérito foi instaurado pelo 6º DP para apurar as circunstâncias do fato, e a mãe já foi ouvida pela Polícia Civil. A Corregedoria da PM, acrescentou a secretaria, está à disposição para investigar eventuais denúncias contra policiais.

A Ponte também procurou o Samu por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Sorocaba, que confirmou apenas ter feito o primeiro atendimento ao jovem.

Leia na íntegra a nota da SSP

O caso foi registrado no 6º Distrito Policial de Sorocaba, que instaurou inquérito para apurar todas as circunstâncias. Na madrugada do último dia 18, o homem, de 25 anos, foi encontrado ferido na Rua Professor Vicente Cafisso, no Jardim Nathália, e socorrido pelo SAMU ao Hospital Regional da cidade. Ele permaneceu internado sob escolta da PM, já que procurado pela Justiça pelos crimes de roubo e corrupção de menores.

O caso foi registrado como captura de procurado e lesão corporal no Plantão Policial de Sorocaba. A mãe do homem já foi ouvida pela Polícia Civil, que segue realizando diligências para esclarecer integralmente o ocorrido para as devidas responsabilizações. A Corregedoria da Polícia Militar também está à disposição para apurar qualquer denúncia envolvendo seus agentes, de modo a tomar as devidas medidas cabíveis.

*Nome fictício para proteger a identidade da vítima.

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