Morto após incêndio na Favela do Cimento, em SP, segue no IML sem identificação

    Homem morreu após ter 80% do corpo queimado em incêndio na comunidade na noite do dia 23 de março, na véspera de uma reintegração de posse

    Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

    Passados mais de 15 dias do incêndio que consumiu os barracos na extinta Favela do Cimento, no Belenzinho, zona leste, o corpo do homem que morreu após ser atingido pelas chamas ainda segue no IML (Instituto Médico Legal) Central à espera de identificação. Na noite de sábado (23/3), mesmo gravemente ferida, a vítima caminhou aproximadamente 200 metros até o hospital Salvalus, onde recebeu atendimento, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na tarde de domingo (24/3).

    O fogo que atingiu cerca de 200 moradias de madeira foi colocado pelos próprios moradores indignados com a postura da prefeitura que, segundo eles, não cumpriu com as determinações impostas pela Justiça para uma reintegração de posse digna, como envio de caminhões para remoção de seus pertences até um galpão municipal, além da presença de assistentes sociais e conselheiros tutelares para orientação e encaminhamento para albergues.

    “Eles estão segurando o corpo porque ele tem 80% queimado, é grande a área queimada, mas não chegou a ser carbonizado. Como [o homem] é de fora de São Paulo, não conseguem descobrir nada aqui no estado. Vão segurar por mais uma semana para ver se conseguem a identificação. A gente está reunindo algumas informações também. Se não conseguirem em mais uma semana se comprometeram a liberar para a Pastoral [ do Povo de Rua] sepultar”, informou o padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua. Ainda de acordo com o pároco, o homem teria uma filha que está fora de São Paulo.

    Frei Agostino, que atua na Pastoral do Povo de Rua, conta que a vítima é branca e deve ter entre 30 e 40 anos.

    A reportagem pediu à SSP (Secretaria de Segurança Pública) algumas características do corpo na tentativa de ajudar na identificação, mas não obteve resposta.

    A (SPTC) Superintendência da Política Técnico-Científica informou que o prazo mínimo para um corpo “não-reclamado” permanecer no IML é de 72 horas, mas que pode permanecer por mais tempo caso a unidade tenha local adequado para armazenar o corpo. Horas após o incêndio um homem chegou a ser detido pela GCM (Guarda Civil Metropolitana), acusado de ter participado da ação. Com ele foi apreendido um galão de 20 litros vazio. Após passar por audiência de custódia ele foi colocado em liberdade.

    Nova ordem de despejo

    Parte dos moradores que tiveram suas casas incendiadas horas antes de uma reintegração de posse agendada para correr na manhã de domingo (24/3), se abrigou em um galpão particular na rua do Hipódromo, 1.000, ainda enquanto o Corpo de Bombeiros atuava no combate ao fogo. O local que já estava ocupado por outras famílias anteriormente agora também está na iminência de sofrer uma ordem de despejo, que está marcada para ocorrer às 6h do dia 23/4.

    Outro lado

    Em nota, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) informou que “o caso segue em investigação pelo 8º DP (Brás), que apura as causas do incêndio. A Superintendência da Política Técnico-Científica (SPTC) esclarece que o corpo da vítima foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) Centro, que realiza exames para identificá-lo. O prazo mínimo para um corpo “não-reclamado” permanecer no IML é de 72 horas, de acordo com a portaria DGP 10/93. No entanto, caso o IML tenha local adequado para armazenar o corpo, o mesmo pode permanecer por mais tempo”.

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