Pastor que explora dependentes químicos é preso em Goiás

    Condenado a nove anos de prisão por assassinato, Daniel Batista de Moraes era acusado também de agredir e explorar a mão de obra dos internos da casa de recuperação que mantinha

    O suposto pastor Daniel Batista de Moraes. Foto: Arquivo pessoal

    Daniel Batista de Moraes ,31, foi preso na noite dessa quarta-feira (22/2) por agentes da Polícia Civil em Hidrolândia, no interior de Goiás. Condenado por assassinato a nove anos de prisão, Moraes transitava livremente em Aparecida de Goiânia (GO) e até fundou uma casa de recuperação, a Resgatando Vidas, onde agredia os internos. Moraes foi preso por agentes em uma operação comandada pelo delegado Wellington de Carvalho, que identificou a localidade por meio do rastreamento do número de telefone usado pelo foragido.

    Moraes chamou atenção quando agrediu Marcos Pina no terminal Isidória, na capital goiana, em uma disputa por ponto de venda de balas nos coletivos. Na instituição Resgatando Vidas, para dependentes químicos, Daniel explorava mão de obra e agredia os internos. Atualmente, a mulher dele, Geice Moreira de Moraes, continua mantendo a instituição que ainda não foi interditada, mesmo sem alvarás de funcionamento. A Polícia Civil de Aparecida de Goiânia investiga as denúncias de maus-tratos.

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    Com sua Prisão, Moraes não consta mais no Banco Nacional de Mandados de Prisão do Conselho Nacional de Justiça. Em 2012, ele foi sentenciado pelo 1º Tribunal do Júri de Goiânia a nove anos de prisão pelo assassinato de Damião Batista de Carvalho, ocorrido na noite do Natal de 2007. Daniel matou Damião a pedradas e pauladas após discussão durante uma festa de confraternização natalina, no Residencial Eli Forte, em Goiânia.

    Na ficha policial de Moraes consta ainda outra sentença: dois anos de reclusão em regime aberto. Daniel e outro réu, Walderson Gomes da Silva, foram julgados pela tentativa de assassinato de Jonas Ataídes da Silva Neto, na noite de 20 outubro de 2006, na rua Curadores, Jardim Mirabel, em Aparecida de Goiânia. A vítima conseguiu fugir, após ter a perna esfaqueada e, por consequência, amputada.

    Moraes está na carceragem da Delegacia de Investigação Criminal (DEIC). A Polícia Civil ainda não decidiu se o pastor será apresentado à imprensa.

    Repercussão

    Mesmo após a publicação da reportagem que denunciou suas práticas no site Tribuna do Planalto – republicada pela Ponte – Moraes enviou áudios ameaçadores a uma das fontes ouvidas. Nos áudios, citava o nome do jornalista autor da matéria e dizia, entre outras coisas, que teriam de arrumar “dez medidas protetivas”.

    Depois das ameças, o diretor do Sindicato dos Jornalistas do Estado de Goiás, Cláudio Curado, visitou a redação e prometeu ajudar a pressionar a Secretaria de Segurança Pública (SSP-GO) para que prendesse Moraes.

    A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), por meio de sua presidente, Maria José Braga, emitiu nota cobrando empenho da Polícia. “Vamos, junto com o Sindicato de Jornalistas de Goiás, pedir providências ao Secretário de Segurança Pública”, disse.

    A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) afirmou em nota que “É inadmissível que um jornalista tema pela própria vida simplesmente por exercer sua profissão”.

    * Matéria publicada originalmente na Tribuna do Planalto

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