Manifestantes concentraram-se na Praça da República e caminharam até o Theatro Municipal, levando pautas como o fim da escala 6X1, o combate ao feminicídio e por melhores políticas de saúde, educação e previdência

Celebrado nesta sexta-feira (25/7), o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha teve atividades em diversas cidades do país. A data se dedica à luta das mulheres negras contra o racismo, o sexismo e a discriminação. Em São Paulo, o ponto de encontro foi a Praça da República, na região central, de onde partiu a 10ª edição da Marcha das Mulheres Negras.
A marcha faz parte do 11º Julho das Pretas e também celebra o Dia Nacional de Tereza de Benguela — líder quilombola que se destacou na luta contra a escravidão no Brasil — e da Mulher Negra, instituído pela Lei nº 12.987/2014, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, com o objetivo dar visibilidade ao papel da mulher negra na história e reafirmar o marco internacional.
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Esse ano a Marcha tem como tema “Por Reparação e Bem Viver”. “Vamos levar para rua debates como a escala 6×1, a questão do reajuste fiscal, a questão da violência, do genocídio contra a população negra, mas também apontamentos daquilo que a gente já tem visto como estruturais, que são as ausências de políticas públicas voltadas para as mulheres negras, tanto no campo da saúde, da educação e da previdência”, destaca Joyce Maria Rodrigues, da Marcha das Mulheres Negras.

‘O feminicídio tem cor’
A violência contra as mulheres negras foi uma das principais pautas do ato desta sexta feira. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, divulgado esta semana, 63,6% das vítimas de feminicídio no Brasil são mulheres negras.
“Enquanto a gente não olhar para as mulheres negras, não adianta a gente dizer que a gente vai lidar com o feminicídio no Brasil, porque ele tem cor. Então, acho que é isso que a gente pode dizer e contextualizar de novo, novamente, sobre os dados que vem apontando. E há melhorias quando a gente olha para o contexto do grupo das mulheres brancas, mas há pioras, aprofunda-se a violência quando a gente olha para o grupo de mulheres negras”, enfatiza Joyce.
Regina Santos, 71 anos, integrante do Movimento Negro Unificado (MNU) desde sua fundação há 47 anos, diz que fica feliz em perceber que a luta das mulheres negras é uma pauta do futuro. “Eu estou nessa luta há muito tempo e fico feliz de ver que essa luta se lastreia. Me alegro muito de ver tantas carinhas novas e saber que a nossa luta seguirá em frente e não vai parar”.

Organização anuncia passeata nacional em novembro
Após as falas iniciais, por volta das 20h40 a marcha seguiu a caminho do Theatro Municipal. Passou em frente à Biblioteca Mário de Andrade, onde representantes de religiões de matriz africana dançaram e desfilaram. O pouco policiamento presente no local manteve-se à distância e não houve incidentes.
Em novembro, acontecerá em Brasilia a 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras, dando continuidade ao calendário de atos programados para 2025. “Esse ano queremos colocar uma milhão de mulheres negras na Capital Federal para mostrar a nossa força”, afirma a poeta e educadora popular Paula Reis.
Pouco antes das 22h, a passeata chegou ao Theatro Municipal de São Paulo para o encerramento e uma foto nas escadarias do prédio.

