Júri popular absolveu os policiais militares acusados pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) de homicídio e fraude processual em caso ocorrido em 2015, no bairro de Pirituba, zona oeste de São Paulo

A Justiça de São Paulo absolveu 14 policiais das Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota), tropa de elite da Polícia de São Paulo, acusados pelas mortes de Hebert Lúcio Rodrigues Pessoa e Weberson dos Santos Oliveira, em 2015. O júri popular foi finalizado na noite de terça-feira (23/9). O crime ocorreu em agosto de 2015, em Pirituba, zona oeste de São Paulo. À época, os policiais disseram que estavam realizando a perseguição de um suposto carro roubado, com três ocupantes, e que houve troca de tiros.
Na denúncia oferecida em 2017, o promotor Hidejalma Muccio, do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), afirmou que os “crimes imputados são de extrema gravidade”. Ele denunciou os 14 PMs por homicídio duplamente qualificado e fraude processual, já que, segundo Hidejalma, os policiais forjaram uma perseguição e uma troca de tiros que nunca aconteceu.
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Ainda conforme a denúncia do MP-SP, Hebert e Weberson nunca tinham se visto na vida, e o primeiro deles foi levado de Guarulhos até Pirituba — uma distância de 29 quilômetros — para ser executado.
O promotor também reforçou que os policiais “plantaram armas de uso restrito junto aos corpos e no veículo que supostamente perseguiram. Chegaram a depositar no veículo Fiat, do ofendido Hebert, um explosivo próprio daqueles usados para roubos de caixas eletrônicos. Não há assim, ordem pública, com os réus em liberdade, que se mantenha incólume”.
Decisão judicial
O caso tramita em sigilo e a Ponte teve acesso apenas à parte da decisão que absolveu os policiais enviada pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Foram absolvidos os policiais: Eduardo de Oliveira Rodrigues, Elias Sérgio da Câmara, Marcelo Antonio Liguori, Luiz Fernando Pereira Slywezuk, Renato da Silva Pires, Erlon Garcez Neves, Tiago Belli, Luis Gustavo Lopes de Oliveira, Moisés Araújo Conceição, Emerson Bernardes Heleno, Tiago Santana Oliveira, Arthur Marques Maia, Marcos Gomes de Oliveira e Leandro Augusto de Souza.
Relato reforçou versão do MP-SP
Além da acusação do MP-SP, uma testemunha ouvida pela Corregedoria da Polícia Militar afirmou que um dos dois mortos havia sido preso antes do tiroteio alegado pelos militares. Segundo ela, os PMs da Rota detiveram o homem em Guarulhos e o levaram até Pirituba, onde ele teria sido envolvido em um confronto simulado.
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Após o relato, os 14 agentes chegaram a ser presos administrativamente por cinco dias, mas, após o período, passaram a responder ao processo em liberdade.