Vídeo flagra ação violenta da Brigada Militar contra indígena em Canela (RS)

Imagens registram homem Kaingang sendo imobilizado por cinco agentes da polícia estadual. Prefeitura afirma que operação foi para combater comércio irregular, enquanto Conselho Indigenista Missionário (Cimi) vê racismo na ação

Um vídeo registrou uma ação violenta da Brigada Militar do Rio Grande do Sul (como é chamada a Polícia Militar no estado) contra um indígena. O homem foi imobilizado por pelo menos cinco agentes, que permaneceram sobre ele mesmo após as súplicas de que seu braço estava doendo. Para a Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS), no entanto, a prisão mostrada nas imagens ocorreu “dentro dos parâmetros legais”.

O vídeo foi divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em sua página no Instagram e foi publicado inicialmente pelo site Brasil de Fato. Segundo a Cimi, a situação ocorreu na última segunda-feira (25/8), quando famílias Kaingang de Farroupilha foram alvo de uma operação da Brigada Militar em Canela, cidade da Serra Gaúcha conhecida pelo turismo.

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No vídeo, o homem aparece sendo imobilizado inicialmente por três agentes. Em seguida, ao menos outros dois passam a atuar na contenção. Ele grita “quebrou meu braço” diversas vezes, enquanto um policial ameaça a pessoa que registrava a cena: “Não vem, senão vai tomar”. Em outro momento, um agente tenta aplicar uma rasteira no indígena.

De acordo com o Cimi, a ação teria ocorrido a mando da Prefeitura de Canela, “a mesma que não admite a presença dos Kaingang”, diz o Conselho em nota. O município, de 48 mil habitantes, é administrado pelo prefeito Gilberto Cezar (PSDB). A Ponte questionou a gestão municipal sobre o ocorrido.

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Em resposta, a prefeitura afirmou que a cena registrada ocorreu durante uma ação integrada da gestão municipal, Brigada Militar, Polícia Civil e Receita Federal, “para combater o comércio e a ocupação irregular em área pública”. A nota, porém, não menciona a apreensão de produtos supostamente comercializados de forma irregular.

O comunicado também trouxe a fala do secretário municipal de Trânsito, Transportes e Fiscalização, Adriel Buss, que justificou a operação como forma de proteger o patrimônio público e “manter a ordem em um espaço turístico” [veja a íntegra da nota abaixo].

“A operação está sendo conduzida de forma preventiva e dentro da legalidade, atendendo a demandas da comunidade e dos órgãos de controle. Nosso objetivo é assegurar o direito de todos, proteger o patrimônio público e manter a ordem em um espaço turístico de referência nacional”, disse Buss.

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A SSP-RS informou que Silvio desobedeceu a uma ordem legal e, por isso, foi preso por resistência. O órgão também não mencionou apreensões. Para o Cimi, a ação evidencia racismo contra os indígenas. Segundo a entidade, não se trata de um caso isolado: além dos Kaingang, também os povos Xokleng, Guarani e Charrua são impedidos de comercializar nos principais pontos turísticos da região.

“Há muitos anos, os indígenas buscam abrir caminhos pacíficos para conquistar possibilidades seguras de venda de suas artes, artesanatos e outros produtos. Entretanto, seguem sendo reprimidos e enxotados de um lugar para outro”, afirmou o Cimi em nota.

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“Turismo e racismo são a combinação cruel de uma sociedade desleal, excludente e violenta. Que tais práticas sejam duramente enfrentadas, combatidas e reprimidas. Elas não podem ser naturalizadas, tampouco padronizar comportamentos e relações entre pessoas e povos. Que o respeito às diferenças e às liberdades prevaleça, para o bem viver em uma sociedade plural”, completa o Cimi.

O que dizem as autoridades

A Ponte procurou a Prefeitura de Canela, a Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS) e o Ministério Público Federal (MPF), que tem atribuição constitucional para defender os direitos dos povos indígenas. Até a publicação desta reportagem, apenas a prefeitura respondeu. Caso haja retorno dos demais, o texto será atualizado.

Leia a íntegra da nota da prefeitura de Canela (RS)

Uma ação integrada entre Prefeitura de Canela, Brigada Militar (BM), Polícia Civil (PC) e Receita Federal, acontece na manhã desta segunda-feira, dia 25, no entorno da Catedral de Pedra para combater o comércio e a ocupação irregular em área pública. A operação iniciou por volta das 9h30 com a participação de 56 agentes públicos.

De acordo com o secretário municipal de Trânsito, Transportes e Fiscalização, Adriel Buss, o trabalho visa garantir a livre circulação de pedestres e turistas, preservar a paisagem urbana em um dos principais cartões-postais do Brasil e reforça o princípio da isonomia em relação aos comerciantes regularmente estabelecidos. 

“A operação está sendo conduzida de forma preventiva e dentro da legalidade, atendendo a demandas da comunidade e dos órgãos de controle. Nosso objetivo é assegurar o direito de todos, proteger o patrimônio público e manter a ordem em um espaço turístico de referência nacional”, assegura Buss.

A Prefeitura de Canela reforça que seguirá atuando de forma integrada com as forças de segurança e órgãos de fiscalização para inibir práticas irregulares e assegurar que espaços públicos sejam utilizados de maneira legal e organizada.

Leia a íntegra da nota da SSP-RS

Operação conjunta combate comércio irregular em área turística de Canela

Nesta semana, uma operação conjunta no entorno da Catedral de Pedra, em Canela, resultou na apreensão de mercadorias sem procedência pela Receita Federal. A ação reuniu diversos órgãos de fiscalização e teve como foco coibir o comércio irregular na região turística.

Durante a operação, a Brigada Militar prendeu um homem por resistência, após desobedecer ordem legal, sendo o autor conduzido a DPPA de Gramado e lavrado o auto de resistência e desacato. Segundo a corporação, a prisão ocorreu dentro dos parâmetros legais, sem registro de lesões.

A iniciativa reforça o compromisso dos órgãos envolvidos com a legalidade, a segurança da população e o combate a práticas irregulares em locais de grande fluxo turístico.

Correções

  • A primeira versão da reportagem mencionava o nome do prefeito de Canela como Gilmar Cezar, quando o correto é Gilberto Cezar. A informação foi corrigida em 29/8/2025, às 11h.

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