
Dossiê aponta que maioria das vítimas em 2021 eram negras, profissionais do sexo e com até 35 anos; país lidera ranking mundial de assassinatos dessa população
O perfil das vítimas também expõe outras camadas de discriminação: 81% delas eram negras e 78% eram profissionais do sexo. Mais de 80% destas mulheres não passaram dos 35 anos de idade.
Os dados indicam que mulheres trans e travestis continuam sendo os maiores alvos da violência transfóbica. As jovens Keron Kavach, 15, Vitória Rodrigues, 31, e Crismilly Pérola, 37, estão entre as 135 vítimas de transfeminicídios registrados.
Segundo a secretária de articulação política da Antra Bruna Benevides, a falta de dados oficiais e o desrespeito ao nome social e à identidade de gênero das vítimas em matérias e denúncias dificultam a contabilização.
“Apesar da importância desses marcadores para a identificação dos casos, a mídia tem uma tendência de classificar as identidades a partir de tais elementos, muitas vezes de forma equivocada, racista, classista e estereotipada”, explica.
Em 2021, também foram registrados 158 casos de violações de direitos humanos contra pessoas trans e travestis, um aumento de 65% em relação ao ano anterior. As ameaças e os assédios acontecem predominantemente na internet.
É o caso da vereadora travesti negra Benny Briolly, de Niterói (RJ). Ela denuncia que recebeu, tanto nas redes sociais quanto no próprio ambiente legislativo, comentários transfóbicos e ameaças como “sua hora vai chegar”.
Desde então a vereadora tenta obter escolta da polícia, que não tomou providências. “Isso mostra que se o Estado brasileiro não tem compromisso com as vidas trans, está sendo conivente, porque não tivemos resposta nem sobre as investigações”, critica.
Casos como o de Lorena Muniz, mulher trans que foi morta em uma clínica por negligência médica, seguem também sem respostas das autoridades.