Criança em casa

Reportagem por: Axel Junior Ilustrações por: Antonio Junião

Aluna da rede estadual de ensino em Santos (SP) sofreu agressões físicas, bullying e ataque sexual. Caso foi para a Justiça e o estado de São Paulo foi condenado a pagar indenização à vitima e à família

A escola que fechou os olhos para os abusos contra uma menina

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A adolescência da estudante Paula Pereira ficou marcada pelos abusos e as agressões físicas que sofreu dos 15 aos 16 anos quando frequentava a Escola Estadual Olga Cury, em Santos (SP), entre 2017 e 2018.

Denúncia

A situação da estudante ficou ainda pior quando foi negligenciada pela direção da escola, quem deveria ter lhe apoiado segundo o artigo 245 do ECA (Estatuto da criança e do adolescente), e por quem a família recebeu ameaças.

Retaliação

Enquanto buscava justiça pela sua filha, Fernanda Pereira a viu entrar em depressão. Paula apresentou sintomas de ansiedade, fugiu de locais públicos e chegou a tentar tirar a própria vida em 2019.

Trauma

A estudante sofria os abusos físicos e psicológicos dos próprios colegas de turma dentro das salas de aula da escola. Segundo ela, muitas de suas colegas também sofreram com a ‘cultura do assédio’.

Abusos na sala de aula

“Eles esperavam uma oportunidade, se uma menina ia na porta, faziam o ato: passavam a mão na bunda, no peito e te encoxavam”, recorda Paula.

“Na escola, se a gente fala, acham que é culpa das meninas. Porque já aconteceu, quando você vê alguém reclamando, já sabe as respostas”, desabafa Paula.

Mesmo buscando ajuda de funcionários por diversas vezes, a jovem continuava sofrendo as agressões. Paulo só conseguiu se abrir com a mãe quatro meses depois do ciclo de violência que sofreu.

Fernanda denunciou as agressões e os abusos que a filha passou ao Conselho Tutelar. Quando soube das denúncias, o diretor do Olga Cury Alexandre Schmidt ameaçou Fernanda em reunião e por mensagens no WhasApp.

“Eu achei que ele ia matar eu e a minha filha”

O caso foi parar na Justiça quando mãe e filha processaram o diretor e a vice-diretora Luciane Martins. Mas, uma decisão da Justiça determinou que o Estado respondesse pela negligência.

Responsabilização

Em 2021, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou o Estado a indenizar Paula em R$ 20 mil e Fernanda em R$ 10 mil, incluindo juros, por danos morais. Leia todos os relatos na reportagem de Axel Junior.