AS FALHAS NAS INVESTIGAÇÕES SOBRE DESAPARECIDOS NO BRASIL

Matéria de Gil Luiz Mendes

A família de Luciene Pimenta Torres convive com a dor e a espera por uma resposta sobre o desaparecimento de sua filha mais nova, Luciane Torres da Silva, desde o dia 30 de agosto de 2009.

Naquele dia, a família comemorava o nascimento de uma neta na Baixada Fluminense, quando estranharam a demora de Luciane em voltar para casa. “A Luciane saiu para ir à padaria, que é aqui do lado”, recorda a mãe.

Levantamentos feitos pelos anuários do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), de 2007 a 2020, mostra que, assim como Luciane, cerca de um milhão pessoas constaram no registro de desaparecidos no país (196 por dia).

O relatório “Teia De Ausências” do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESec) traz um panorama deste problema no estado do Rio de Janeiro, a falta de preparo da polícia e o desafio que as famílias enfrentam. algum texto

As motivações dos desaparecimentos podem ser de diversas naturezas, desde a violência até doenças que afetam a memória. Mas, a pesquisa revela que as famílias mais pobres são as que mais sofrem nesta busca.

Nesse processo, pesam as falhas nas ações e informações integradas, a falta de políticas públicas específicas, de instituições preparadas, de uma rede de apoio jurídico e psicossocial, destaca o relatório.

“A família tem que virar investigadora, a gente tem que ser detetive, a gente tem que saber nadar, a gente tem que saber tudo. Não há uma transparência por parte da polícia de como as investigações são feitas”, relata Luciene.

Justamente para ter esse apoio e poder ajudar outras famílias em busca de seus entes desaparecidos, Luciene criou a ONG Mães Virtuosas do Brasil: “nesse tempo que estou nessa luta, já acolhi muita gente e fiz esse papel de escutar a dor de cada mãe”.

Um outro fator que o relatório aponta como problemático é o da legislação brasileira, que aos poucos tem se atualizado, mas ainda carece de procedimentos a serem adotados durante as investigações.

“A gente precisa deixar claro que uma pessoa deve comunicar às autoridades assim que der falta de alguém. Isso, inclusive, é essencial para que esta pessoa consiga ser localizada mais rapidamente”

Explica a pesquisadora Paula Napolião.

O estudo indica também a falta de integração entre bancos de dados e núcleos especializados no Rio, tendo uma única delegacia voltada à descoberta de paradeiros.

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