Criança em casa

Reportagem por: Jeniffer Mendonça Fotos: Foto: Daniel Arroyo/Ponte

A criminalização da pobreza e o estigma do crack explicam uma maior indignação com as cenas de consumo e venda drogas no centro da cidade de São Paulo, segundo a pesquisadora Nathália Oliveira, da Iniciativa Negra por uma Nova Política de Drogas

O termo "cracolândia" é errado em vários níveis

Em diferentes gestões municipais, de Fernando Haddad a Bruno Covas, a região foi alvo de programas que priorizaram em diferentes níveis as condições de alimentação, renda e moradia, enquanto que a segurança pública ficou marcada por repressão e prisões.

À Ponte, a pesquisadora e socióloga Nathália Oliveira comenta que o uso do termo “Cracolândia” acaba banalizando todas as complexidades que envolvem o território, inclusive a discussão sobre uma nova política de drogas para reduzir as desigualdades sociais.

"Para quem trabalha com o setor imobiliário, que tinha interesse naquele território, quanto mais o nome pegasse, melhor seria para a desvalorização e para que os imóveis pudessem ser comprados ou demolidos por um preço bem mais barato", explica.

Nathália diz que na mesma região há outros problemas, como famílias que são prejudicadas com despejos e alunos que deixam de ir para as escolas, mas que são invisibilizados.

"O perfil dessas pessoas é de vir de uma trajetória de vida anterior à “Cracolândia”, que envolvia conflitos, violências, violações de direitos, pobreza… Tem bastante gente egressa do sistema prisional e a gente vai percebendo como que isso vira uma porta giratória, né?", aponta

Nathália também vê que a condição econômica das regiões tem influência na percepção de outros locais em que as drogas circulam no centro da capital paulista, como na Rua Maria Antônia."Reclamam da “Cracolândia” pela sujeira, mas acontece a mesma coisa por lá e tem uma outra abordagem".

Para a pesquisadora, o poder público tem responsabilidade sobre essas pessoas e a mudança de local não mudará esse cenário. "Um dos elementos da oferta de cuidados e tratamentos conseguirem acontecer é a questão do vínculo”, explica.

"Então, quando as pessoas se dispersam em outras regiões, ainda que no centro, continuam em situação de vulnerabilidade porque as pessoas do bairro tendem a não aceitar e gerar mais casos de violência".

Leia a entrevista completa em ponte.org