
Levantamento mostra que 63% dos abordados pela polícia na capital fluminense são as pessoas negras
Segundo o CESeC, 63% dos abordados pela polícia no Rio são as pessoas negras: “A gente consegue apontar de maneira científica, e quase inquestionável, que as pessoas negras são as mais abordadas pela polícia”, Pedro Paulo da Silva, pesquisador do CESeC
“Tenho um veículo de uma boa marca e sempre sou parado”. O professor Herbert Borges tomou seu primeiro enquadro quando tinha apenas 16 anos, com direito a fuzil engatilhado contra o seu rosto.
Negros correspondem a 68% dos cidadãos que tomam enquadro enquanto estão caminhando na praia ou na rua. 72% das pessoas que são paradas em carros de aplicativo também são negras
“Eu não uso bolsa para ir trabalhar. Vou de mototáxi e eles não podem ver uma mulher negra na garupa da moto com bolsa que param a moto para revistar a bolsa”, uma das participantes entrevistada pelos pesquisadores.
A pesquisa ainda mostra relatos de mulheres que usam cabelos com dreads ou black power terem seus cabelos revistados sob alegação de estarem escondendo algum tipo de droga na cabeça.
“Os abusos da polícia geram transtorno psíquico na população negra. Se você tem a casa invadida, algum amigo preso ou morto pela polícia cria um trauma da polícia e do Estado”, Pedro Paulo da Silva.
45% das pessoas pretas reprovaram a PM, 23% das pessoas brancas e 28% das pessoas pardas também reprovaram a corporação.
“Quando tomo um enquadro, procuro falar pouco, dar informações diretas. Isso diminui as chances de terem uma ação violenta, e às vezes até matar você”, Herbet Borges.
Para a realização da pesquisa Elemento Suspeito, o CESeC contou com entrevistas feitas com jovens moradores de favelas, entregadores, motoristas de aplicativos, mulheres e policiais.