Reportagem de Gil Luiz Mendes Fotos: reprodução Ilustrações: Junião
A família de Ítalo Ferreira de Jesus Siqueira, menino negro que foi morto pela Polícia Militar, quando tinha 10 anos, ainda aguarda justiça e um desfecho para o caso que ocorreu em junho de 2016.
Ítalo é uma das 1.335 vítimas, todas elas crianças e adolescentes, que morreram nas mãos da polícia do estado de São Paulo entre os anos de 2015 e 2021.
Um levantamento feito pelo Comitê Paulista pela Prevenção de Homicídios na Adolescência (CPPHA) revelou que, dos 3.457 homicídios contra pessoas com menos de 19 anos, 38,6% foram cometidos pela polícia.
Para a deputada estadual Marina Helou (Rede), que preside o comitê formado por representantes da Alesp, UNICEF e da Secretaria da Justiça e Cidadania, o estudo mostra um problema estrutural.
A pesquisa também revela que 58,81% dos jovens mortos nos últimos sete anos eram negros. Em relação às mortes por intervenção policial, jovens com idade entre 15 e 19 anos são as principais vítimas.
Em 2017, ano em que em que agentes de segurança pública mais mataram jovens, a taxa por 100 mil habitantes de mortes praticadas pela polícia entre pessoas de 15 a 19 foi de 8,01, enquanto entre pessoas de 20 a 29 anos foi de 4,39.
Apesar do número de mortes violentas contra jovens no estado, inclusive os assassinatos cometidos por policiais, terem caído, a presidente do CPPHA ainda considera alarmante o número de vidas perdidas no período.