
Em entrevista à Ponte, a ponteira do Osasco Voleibol Clube conta que não tinha ideia do impacto que causaria ao entrar no vôlei feminino.
Aos 37 anos, Tifanny Abreu foi um dos destaques do campeonato nacional de vôlei feminino, a Superliga. Nascida no Tocantins e criada no Pará, a atleta enfrentou diversas barreiras e ataques transfóbicos até se tornar ponteira do Osasco Voleibol Clube.
Influenciada pelo irmão que fazia atletismo, conheceu o vôlei na infância e escolheu trilhar seu caminho a partir dele. “Eu sabia que ali eu podia ser mais bem recebida. O vôlei abriu esse caminho para a Tifanny ser quem ela é hoje. Tanto antes da transição quanto depois”, conta.
Em 2012, jogando na Europa, a atleta quase desistiu do esporte quando decidiu viver a transição de gênero. “Eu não imaginava que podia jogar vôlei novamente. Assim como todo mundo que me ataca com a transfobia, eu também não entendia sobre o hormônio, sobre as regras.”
Depois de jogar na Bélgica e na Itália, Tifanny assinou contrato com o Sesi Vôlei Bauru e voltou ao Brasil em 2017. Ao entrar na elite do voleibol nacional, sofreu ataques transfóbicos de jogadores, das comissões técnicas e até mesmo da imprensa esportiva.
“Foi difícil porque é o país que mais mata mulheres trans no mundo, fiquei com medo e com receio de sofrer algum ataque, mas eu precisava seguir em frente, precisava abrir caminhos, precisava ser quem eu era. Eu não podia ter medo”, relembra.
Tanto a Federação Internacional de Vôlei quanto a Confederação Brasileira de Vôlei se manifestaram a favor da participação de Tifanny na Superliga. A jogadora estava dentro das regras internacionais do COI, que estipula um limite de 10 nmol/L de testosterona no sangue.
“Eu entendi que eu preciso abrir caminhos para outras. Se existe a Tifanny hoje é porque muitas outras lutaram e perderam a vida lá atrás. Muitas foram sacrificadas por serem quem são, por lutar por direitos que temos hoje”, reconhece.
Atualmente defendendo o Osasco Voleibol Clube, Tifanny ganhou o apoio das colegas de time, da torcida e da comissão técnica e sonha em jogar pela seleção brasileira. Casada com o jogador de futebol Victor Metz, a ponteira inspira quem busca referências trans no esporte.