O que muda com a criação da Polícia Penal de São Paulo?

Texto de Kaique Dalapola imagens: Reprodução

A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou, em junho, a criação da Polícia Penal que reúne o trabalho dos agentes carcerários e de outros funcionários que trabalham no sistema prisional.

Com essa nova divisão, além de aumentar o efetivo de agentes que serão responsáveis pela segurança das prisões, há também novas funções como a escolta antes feita por PMs e a fiscalização de presos nas “saidinhas”.

A medida, no entanto, tem dividido opiniões. Por um lado, a fiscalização é tida como positiva para evitar problemas durante as saídas temporárias. Por outro, gera insegurança a detentos e ex-detentos.

O Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional de SP afirma que, atualmente, a fiscalização só ocorre com presos que usam tornozeleira eletrônica e é de responsabilidade de um pequeno grupo de agentes.

“Boa parte dos problemas provocados durante as chamadas ‘saidinhas’ ocorre porque presos sem as mínimas condições psicológicas são colocados em liberdade e sem fiscalização”, diz Fábio Jabá, presidente do sindicato.

Já para Jorge, 42, egresso do sistema penal, as “saidinhas” são um dos momentos de mais “conforto e alegria” aos presos. Ele teme que a supervisão gere hostilidade aos familiares e amigos dos detentos.

“Sempre que voltamos às ruas, tem um olhar de desconfiança das pessoas. Imagina se a gente estiver em casa, e o tempo todo fiscais armados ficam na nossa porta, atrás da gente”, pondera.

Jorge também considera que o número de presos que desfrutam do benefício das saídas temporárias ainda é pequeno e que a fiscalização poderia ser feita com “tecnologia e inteligência”.

Cerca de 37 mil detentos do sistema prisional paulista tiveram direito à saída temporária durante a Semana Santa de 2022. Para sair, é necessário que cada um informe o endereço onde irá ficar.

“A Polícia Penal deve montar equipes móveis que farão fiscalizações rotineiras e de surpresa, para garantir que o sentenciado cumpra as determinações judiciais”, explica Maria das Neves Duarte, do Sindicato do Funcionários do Sistema Carcerário.