PRESOS DENUNCIAM FALHAS EM TORNOZELEIRAS E MEDO DE 'PERDER'REGIME SEMI ABERTO

Matéria de Jeniffer Mendonça Imagens: Reprodução

E se sua tornozeleira falhasse e você seu direito ao semiaberto? Familiares de presos denunciam problemas com esses aparelhos e presos ficaram de “castigo” em cela isolada após falha

“Dentro de casa, a tornozeleira começou a apitar do nada”, conta a mãe de Felipe que passou o Natal em casa por conta do direito à saída temporária. O filho gravou provas do problema para se resguardar.

Felipe registrou ligação à PM, filmou as tentativas de ligação à penitenciária até conseguir ser atendido. Ele gravou a programação da TV, que aparecia às 19h50, para provar que estava em casa.

Segundo as trocas de mensagens dele com o advogado, a tornozeleira só parou de dar problema na manhã do dia 28 de dezembro, quando depois das 6h30 havia saído de casa.

Quando a família o levou de volta, em 03/1, a mãe disse o equipamento também apitou já na porta da penitenciária. “Não quiseram nem saber, verificar nada, já mandaram ele direito para o castigo”

A direção da unidade descreveu que o sistema identificou que Felipe cometeu violação por ter estado fora de casa no dia 25/12, das 4h46 até 5h44, e em 27/12, das 19h às 6h

A mãe aponta que ele estava dentro da residência e solicitou imagens do condomínio para atestar a veracidade, mas a síndica apenas forneceria mediante decisão judicial.  O pedido foi feito ao Tribunal

“Faltavam dois meses para ele ir para o regime aberto, ele não ia cometer uma falta para perder essa oportunidade que ele lutou tanto”, lamenta a mãe de Felipe.

Com Felipe, também estavam Gabriel e Marcio na cela, cujas esposas relataram problemas nas tornozeleiras no mesmo período.

O advogado dos presos fez uma denúncia à Coordenadoria de Unidades Prisionais, Corregedoria da SAP, Ministério Público.  “Mas a direção da unidade disse que eu estava atrapalhando o serviço público”.

Todos os três presos, de acordo com as famílias, seguiram as orientações do termo de compromisso da SAP que assinaram sobre como proceder quando acontecesse algum incidente.

Foi o diretor do presidio quem solicitou a suspensão do regime semiaberto dos três sob a alegação de “tentativa de fuga do averiguado”, embora todos tenham retornado à penitenciária na data prevista

Os pedidos foram acatados pelo juiz Emerson Tadeu Pires de Camargo, em janeiro, sem nem ao menos o procedimento de apuração disciplinar ter sido concluído e remetido para avaliação.

Felipe, Gabriel e Márcio não são casos isolados como você poderá ver na reportagem de Jennifer Mendonça