
Estudo avaliou programa de prevenção a uso de drogas comandado pela PM em 30 escolas da rede estadual da capital com mais de 4 mil alunos dos 5º e 7º anos do ensino fundamental
De acordo com uma pesquisa feita pela Unifesp, o programa não se mostrou eficaz em pelo menos 30 escolas estaduais da cidade de São Paulo, ou seja, não preveniu o uso de drogas em crianças e adolescentes.
O levantamento entrevistou mais de 4 mil 4.030 do 5º e 7º anos do ensino fundamental, em 2019, que receberam as aulas e comparou o uso de drogas, a prática e a vitimização de bullying com quem não passou pelo programa.
Inspirado na política norte-americana, o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência é aplicado em diversos estados brasileiros pela Polícia Militar desde 1992.
Segundo o estudo, a droga mais prevalente entre os estudantes é o álcool. Mais da metade dos alunos do grupo que recebeu as aulas mantiveram o consumo mesmo após o programa.
A pesquisa também aponta que participar do Proerd aumentou em 93% a chance de um estudante de 7º ano reportar que tinha a intenção de utilizar cigarro no futuro.
Em entrevista, Juliana Yurgel Valente, uma das autoras do estudo, explica que o currículo do programa não leva em consideração as particularidades da realidade brasileira e carece de avaliação sobre sua efetividade.
“A primeira coisa assim que nos chamou atenção é a questão, por exemplo, do currículo do 5° ano. Tem muitas atividades que são escritas. O que a gente viu quando foi a aplicar o questionário de avaliação é que muitos alunos do 5° ano não sabem ler e escrever”, pontua.
Sobre as mudanças feitas no currículo em 2014, inspirado no Keepin’it real (Caindo na real), Juliana fala que, antes, o programa “era muito focado em conhecimento sobre drogas” e hoje “trabalha com habilidades de vida”.
De acordo com a pesquisadora, o atual currículo tenta “criar habilidades para depois poder aplicar para a questão da droga”, apresenta estratégias de resistência e não foca no discurso moralista.
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