
Acusado de participar de um latrocínio, Alexandre foi preso no dia 31 de agosto do ano passado após um reconhecimento irregular
Na tarde do dia 31 de agosto de 2021, o carregador negro Alexandre do Santos estava em casa quando foi pego de surpresa com a visita de um oficial de justiça que o informou sobre um mandado de prisão.
Alvo de um reconhecimento irregular, Alexandre foi acusado de participar de um latrocínio (roubo seguido de morte) a 15 km de sua residência, na zona leste de São Paulo, no dia 22 de junho.
O carregador negou envolvimento no crime e aceitou ir até a delegacia prestar esclarecimentos. Passados mais de seis meses, Alexandre não voltou para a casa e segue preso no CDP de Guarulhos I, na Grande São Paulo.
De acordo com o boletim de ocorrência do crime, as vítimas teriam ido até a casa de uma mulher para comprar um veículo que estava anunciado em uma página do Facebook.
Duas das quatro vítimas reagiram, foram baleadas e chegaram sem vida ao hospital. Na fuga, os assaltantes deixaram cair a arma e um celular azul modelo Samsung, que foram apreendidos pela polícia.
26 dias após o crime, as vítimas foram até a delegacia realizar um reconhecimento fotográfico dos suspeitos. A partir de uma foto 3x4, elas apontaram que Alexandre seria o assaltante que deixou o celular cair durante a fuga.
A investigação da Polícia Civil não explica a origem da foto do carregador. Segundo Nathalie Guimarães, advogada de defesa de Alexandre, também não há descrição física dos suspeitos no auto de reconhecimento.
Já o laudo pericial no celular do Alexandre apontou que ele saiu do trabalho como havia informado e estava na rua da casa dele no momento do roubo.
A advogada Débora Roque, que analisou o processo a pedido da Ponte, aponta que o reconhecimento fotográfico é um procedimento questionável e que pode influenciar o reconhecimento pessoal feito pelas vítimas.
Ana Carolina Barbosa dos Santos relata à Ponte que a prisão de seu marido é uma injustiça e desencadeou uma série de traumas na família. “Ele sempre foi um pai muito presente”, conta.
“Hoje, eu faço acompanhamento com psiquiatra, tomo calmante pois tive muita ansiedade. E as crianças também que viram tudo”, lamenta