Em ação trabalhista contra a rede de lojas, Flor de Lima afirma que, após iniciar transição de gênero, os chefes a ofenderam e continuaram a chamá-la pelo nome masculino. Em depressão, tentou se matar dentro da loja, em Campinas (SP)
Sofri três anos de perseguição transfóbica na Zara, denuncia ex-funcionária
“Lá dentro, eu estava gritando para ser ouvida”, relata Flor de Lima da Silva ao lembrar das tentativas de encerrar os ciclos de transfobia em uma loja da Zara em Campinas (SP), onde trabalhou até ser demitida, em setembro de 2021
Desde 2018, quando iniciou sua transição de gênero, foi proibida de usar o banheiro das mulheres, obrigada a vestir o uniforme masculino e chamada pelo seu nome antigo
“Eu quero que o mundo saiba disso, porque a Zara é uma empresa grande e eles são sistematicamente transfóbicos e racistas”. A perseguição teria provocado crises de depressão, que a levaram a duas tentativas de suicídio, uma delas dentro da loja.
Flor chegou a procurar a gerência da loja para pedir o uniforme feminino, mas o RH negou inicialmente o pedido. O uniforme feminino somente foi entregue mais de quatro depois, em maio de 2019.
Quando pediu para passar a usar o banheiro das mulheres, ouviu dos funcionários de RH que deveria ter “muita paciência”. Para evitar os olhares dos homens, ela se trocava em uma cabine do banheiro masculino.
“Falavam que eu não sabia me vestir, que tinha que ser mais feminina. Na época eu ainda tinha barba, então diziam: ‘Ai, credo, você não vai fazer cirurgia?’ Isso era questionado assim o tempo todo.”
“O RH ia lá direto e em nenhum momento foi pedido para as pessoas respeitarem o meu nome. Eu que me lascasse para lidar com a transfobia diária”
Conheça a história de Flor na íntegra na reportagem de Beatriz Drague Ramos