Criança em casa

UM REFÚGIO (IN)TRANQUILO

Reportagem por: Thiago Silva
Foto: Reprodução / Facebook

A morte de Moïse Kabagambe é mais um golpe no mito do Brasil como terra da esperança de um futuro melhor para milhares de refugiados

Racismo e xenofobia

O caso do congolês Moïse Kabagambe, 24, que foi espancado e morto em janeiro dentro de um quiosque na orla da praia da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, causou comoção e revolta no país. 

Em artigo publicado na Ponte, o advogado e ativista dos direitos humanos Thiago Silva considera que o caso de Moïse escancara dois mitos perpetuados na história: o do Brasil acolhedor e o da democracia racial.

Cenário brasileiro

Ele argumenta que a miscigenação no país dá uma visão de que o Brasil é a terra da esperança e de um futuro melhor para milhares de refugiados.

Quem são os refugiados?

O escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) estima que mais de 20 milhões de pessoas estejam fugindo da guerra, da perseguição religiosa, da violência por questões raciais e de gênero.

República Democrática do Congo

O advogado comenta que o país foi assolado por duas guerras entre o fim da década de 1990 e o começo dos anos 2000. Conflitos civis também levaram o país a situação de extrema pobreza e ao deslocamento à força de sua população.

Como no caso de Moïse, milhares de pessoas “repetem o abominável itinerário dos navios negreiros, em condições semelhantes aos tempos de escravidão para tentarem recomeçar suas vidas, a fim de viverem sem medo e terem um lar, longe de guerras”.

Assim como a angolana Zulmira de Souza Borges, 26, Moïse foi vítima do racismo e da violência brutal sem que houvesse alguém que o socorresse. “Fugimos da África para ser acolhidos aqui”, revoltou-se um amigo.

Sonhos interrompidos

Para Thiago, “a sociedade brasileira claudica com sua consciência anestesiada, no aguardo pela próxima tragédia humana, provavelmente envolvendo um irmão de pele escura, enquanto o Brasil acolhe com braços abertos a impunidade para crimes desta natureza”. 

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