Candidato a vereador de Bauru (SP) tem ligações com grupos nazifascistas

    André Luiz Alvarez militou no Direita Bauru, grupo ligado a ataques homofóbicos na USC, e aparece ao lado de símbolos e representantes do movimento integralista. “É um fascista”, explica professora especializada em extrema-direita

    Candidatura de André consta como “deferida” pelo TSE | Foto: Reprodução

    “Anauê!”. O comentário de André Luiz Santos Alvarez, em 6 de junho de 2018 na página Direita Bauru, no Facebook, faz referência ao integralismo, movimento brasileiro do século 20 inspirado no nazifascismo. Dois anos depois, André Alvarez é candidato a vereador em Bauru, cidade no interior de São Paulo.

    Há uma série de elementos ligando André a movimentos de extrema-direita e próximos aos ideais nazifascistas. Ele integrava o coletivo de extrema-direita Direita Bauru, conforme fotos de reuniões do grupo também postadas no Facebook.

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    O grupo tinha como logo uma ave em cima da letra grega sigma, usado pelos integralistas na década de 1930 – a página do coletivo não existe mais na rede social. Plínio Salgado é o criador do movimento, que se tornou a Frente Integralista Brasileira e levava como lema “Deus, pátria e família”.

    Depois de Salgado, o slogan acabou usado na Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, em 1964, um dos movimentos estopim para a o golpe que originou a ditadura militar, que perdurou daquele ano até 1985.

    Símbolo usado pela Direita Bauru com referência ao integralismo | Foto: Reprodução

    São creditados à Direita Bauru ataques homofóbicos e racistas na Universidade do Sagrado Coração, com pichações nas paredes do banheiro da instituição. Elas aparecem junto do símbolo sigma e uma dizia “mate um favelado, mate um anarquista”.

    Outra pichação era “remédio de gay é lâmpada fluorescente”, em referência a ataque sofrido por dois jovens gays na Avenida Paulista feito por quatro homens em 2018, que usaram lâmpadas para agredir as vítimas.

    https://twitter.com/bicicreta/status/980978497953951751

    André aparece em fotos, publicadas em 2015, com as bandeiras de São Paulo e do Brasil ao lado do obelisco da Revolução de 1932. Na autodeclarada Revolução Constitucionalista, São Paulo e o que viria a ser o Mato Grosso do Sul se juntaram na tentativa de derrubar o então presidente Getúlio Vargas, empossado após a Revolução de 1930. O governo de Vargas venceu. Nas últimas décadas, símbolos da revolta paulista têm sido apropriados por grupos de extrema-direita.

    As imagens mostram o atual candidato do partido Democratas a uma vaga na Câmara Municipal de Bauru limpando o monumento. No álbum, há retrato tirado em um túmulo com o símbolo do integralismo, a letra sigma. Ali está enterrado Nicola Rossica, primeiro mártir integralista, morto em Bauru dias antes da Batalha da Praça da Sé – disputa entre integralistas e antifascistas em outubro de 1934.

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    Alvarez posa com a bandeira paulista ao lado de outras três pessoas. Uma delas é Mateo Borda Daniel, que usa suas redes sociais para disseminar ideais nacionalistas e segregacionistas.

    Um dos ideais compartilhados é o “Fenaista”. Segundo a pesquisadora da Unicamp (Universidade de Campinas) Adriana Dias, que estuda grupos neonazistas, o coletivo é “super nacionalista”.

    André (segundo da esquerda para direita) posa no monumento à “Revolução de 1932” | Foto: Reprodução/Facebook

    “É super de direita e têm a cruz gamada no símbolo deles, o que remete ao nazismo alemão”, explica a especialista – cruz gamada é um símbolo que deu origem à suástica nazista. Fenaista, então, seria o nome dado a quem integra a frente nacionalista.

    Adriana explica que Mateo tem histórico de relações com neonazismo. “É tido como uma pessoa violenta, já esteve em manifestação pró-nazismo”, exemplifica.

    Sigma integralista em túmulo (à esq.) e exaltação integralista feita por Mateo | Foto: Reprodução/Facebook

    Há foto de Mateo fazendo a saudação integralista, com braço levantado e mão direita aberta, em frente ao túmulo com a letra sigma. O mesmo gesto era feito pelos nazistas para exaltar Adolf Hitler.

    André Alvarez integrou a juventude do PSDB na cidade. Depois, entrou para o MBL (Movimento Brasil Livre) de Bauru, particupo da tentativa de criação do PMB (Partido Militar Brasileiro) e integrava o movimento separatista São Paulo Livre, que prega a independência do estado.

    Comentário de André Luiz Alvarez na extinta página Direita Bauru | Foto: Reprodução|Facebook

    Segundo Adriana, a candidatura demonstra “desrespeito com as minorias”, comprometimento com “a extrema-direita e com tudo que e é mais reacionário na política”.

    “Ele é um fascista. É responsável por pichações que podem ser consideradas fascistas”, analisa, ao considerar “complicado” uma pessoa com tal “arcabouço ideológico” possa fazer parte da sociedade política “que vai decidir o destino de uma cidade”.

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    A Ponte procurou André para explicar as ligações com o Direita Bauru, São Paulo Livre, com Mateo Borda e com os ataques na Universidade do Sagrado Coração. No entanto, não obteve resposta no telefone apontado em sua página de campanha no Facebook, e nem em mensagens enviadas à página.

    A reportagem também questionou o partido Democratas sobre os vínculos de André Luiz Alvarez com ações de extrema-direita e aguarda um posicionamento.

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