Juiz determinou nesta terça-feira (30/9) abertura de inquérito e autorizou mãe a visitar no hospital o filho, que acusa policiais da Força Tática de o terem espancado e violentado com um caule de mamona na última quinta-feira (18/9)

A Justiça de São Paulo determinou nesta terça-feira (30/9) a abertura de inquérito policial e de procedimento na Corregedoria da Polícia Militar para apurar a denúncia de agressão contra André Luiz*, 25 anos. O jovem está internado em estado grave no Conjunto Hospitalar de Sorocaba após, segundo a família, relatar ter sido brutalmente espancado e empalado por policiais da Força Tática na madrugada de 18 de setembro.
A decisão, assinada pelo juiz André Luis Bastos, também autorizou que a mãe de André, Eliana Chaves Ribeiro, possa visitá-lo no hospital, desde que respeitadas as regras da unidade e de segurança da PM. Até então, a família relatava dificuldades para ter acesso ao rapaz.
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No despacho, o magistrado acolheu parecer do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), que havia se manifestado favorável à visita e pela necessidade de apuração da conduta dos policiais. O documento determina o envio do caso à Delegacia Seccional de Sorocaba e à Corregedoria da PM para que sejam instaurados os procedimentos cabíveis.
Eliana denunciou à Polícia Civil que vizinhos a acordaram na madrugada de 18 de setembro informando que algo havia ocorrido com seu filho. Ao sair de casa, encontrou André caído na calçada, com marcas de espancamento pelo corpo e um caule de mamona introduzido no ânus. “Ele mesmo me falou: foram policiais da Força Tática que fizeram isso”, disse ela à Ponte.
Jovem continua na UTI
Segundo a mãe, André foi abordado em uma área de mata na zona norte da cidade, conhecida como ponto de uso de drogas, e não conseguiu fugir porque estava debilitado. Testemunhas relataram que ele foi espancado e empalado, sendo abandonado em seguida na rua. Um casal que passava pelo local o levou até a porta da família, de onde a mãe acionou o Samu.
André permanece na UTI, entubado em coma induzido, após cirurgia para reparação do intestino. Ele passou a usar uma bolsa de colostomia. Internado sob custódia policial, é considerado procurado pela Justiça por não ter retornado ao presídio após a “saidinha” de junho.
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“Independentemente disso, ninguém tinha o direito de fazer isso com ele”, afirmou Eliana, que diz não buscar indenização, mas a responsabilização dos agentes. A família e vizinhos chegaram a cogitar manifestações em frente ao Fórum de Sorocaba.
O que dizem as autoridades
Quando o caso veio à tona, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou à Ponte que o registro foi feito como lesão corporal e captura de procurado no Plantão Policial de Sorocaba. A pasta disse ainda que a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as circunstâncias e que a Corregedoria da PM está à disposição para investigar eventuais denúncias.
A Ponte também procurou o Samu, por meio da Secretaria Municipal de Saúde de Sorocaba, que confirmou apenas ter feito o primeiro atendimento.
Após a decisão judicial, a reportagem voltou a procurar a SSP-SP e o MP-SP. Em nota, a Secretaria da Segurança afirmou que o caso está sendo apurado pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM.
Em resposta, o MP-SP informou que o processo tramita pelo DEECRIM e que o pedido de providências partiu da mãe do jovem, que solicitou autorização para visitá-lo no hospital. O órgão acrescentou que o promotor pediu a extração de cópias e o envio do caso à Delegacia Seccional de Sorocaba para abertura de inquérito, medida já deferida pela Justiça.
Leia nota da SSP-SP
A Polícia Militar apura todas as circunstâncias dos fatos por meio de um procedimento apuratório, com acompanhamento da Corregedoria da instituição. Paralelamente, o 6º Distrito Policial de Sorocaba também investiga o caso. A mãe do homem já foi ouvida pela Polícia Civil, que segue realizando diligências para esclarecer integralmente o ocorrido para as devidas responsabilizações.
*Nome fictício para proteger a identidade da vítima.
*Matéria atualizada em 1/10/2025, às 17h33min, para incluir a nota da SSP-SP e do MP-SP.