Movimentos negros realizaram nesta quarta-feira (29/10) um protesto em SP em repúdio às mais de 100 mortes pela polícia nos complexos do Alemão e da Penha. Entidades convocam atos em várias cidades dia 31/10 em resposta à chacina

A frase “tão matando gente preta todo dia”, ecoada no coração de São Paulo, não é retórica. É a constatação dolorosa reafirmada com o massacre policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro que matou, até o fechamento desta reportagem, 130 pessoas, nesta terça-feira (28/10).
Os gritos fizeram parte do ato simbólico organizado pela Coalizão Negra por Direitos e pela Uneafro, realizado nesta quarta (29/10) na Avenida 23 de Maio, próximo ao viaduto Santa Ifigênia. A manifestação denunciou a escalada da violência policial contra a população negra e periférica e cobrou responsabilização do Estado pelas mortes na zona norte da capital fluminense.
Leia também: Massacre do Alemão e da Penha tem mais dezenas de mortos encontrados e supera Carandiru
“[Essa ação é] em solidariedade ativa ao povo do Rio de Janeiro, aos complexos que foram massacrados, em repúdio à ação do Estado — em nome do futuro e da nossa juventude negra”, afirmou nas redes sociais o ativista, professor e fundador da Uneafro e da Coalizão, Douglas Belchior.
Mais cedo, Belchior questionou como o país reagiria se as vítimas fossem brancas. “Se corpos brancos usando drogas fossem mortos em bairros nobres, o Brasil estava parado agora”, disse em vídeo. Para ele, “o massacre é mais um capítulo de um país em guerra racial, de um Estado em guerra contra seu próprio povo”. O ativista relembrou outros episódios de violência de Estado: Massacre do Carandiru (1992), Chacina da Candelária (1993), Chacina de Eldorado dos Carajás (1996), Chacina do Cabula (2015), Chacina de Osasco e Barueri (2015).
Leia também: RJ tem operação mais letal de sua história seis meses após reviravolta na ADPF das Favelas
“Eu queria que os hipócritas racistas — tanto de direita quanto de esquerda — que dizem que discutir racismo é pauta identitária, dissessem como é possível que a polícia entre em comunidades majoritariamente negras, mate dezenas de pessoas e o país siga sua vida normalmente”, criticou.
Belchior também apontou o papel da imprensa hegemônica na legitimação das mortes. “A imprensa justifica as mortes pela a ação repressiva do Estado ao crime organizado, como se houvesse pena de morte instituída. Como se um policial pudesse prender, julgar e executar a pena de morte”, afirmou.
Ato nacional no MASP e em outras capitais
“Temos que reagir com força a essa política de segurança pública que segue matando nosso povo”, defendeu Douglas Belchior. A Uneafro e a Coalizão Negra por Direitos convocam atos no dia 31/10, em resposta à chacina. Em São Paulo, a manifestação será a partir das 18h, em frente ao MASP. Segundo Luana Vieira, coordenadora da Uneafro, “a ideia é que haja mobilizações simultâneas em diversas cidades do Brasil”. Também participam da organização do ato o Instituto Peregum, a Marcha das Mulheres Negras, o Movimento Negro Unificado (MNU) e a Unegro. A seguir, informações completas.
São Paulo – MASP, 18h
Brasília – Museu da República, 18h
Salvador – Local e horário a confirmar
Fortaleza – Praça da Gentilândia, 17h
Recife – Palácio do Campo das Princesas, 16h
Porto Alegre – Esquina Democrática, 17h
Belo Horizonte – Praça 7, 17h
Belém – Uepa CCSE (Telégrafo), 17h30
Rio de Janeiro – Local e Horário a confirmar
Nova Iguaçu – Praça dos direitos Humanos, 17h
Londrina – Local e hora a confirmar
Juiz de Fora – Rua Halfeld, em frente ao BB, 17h
Ribeirão Preto – Local e hora a confirmar
Florianópolis – Em frente ao TICEN, 17h30
Joinville – Praça Nereu Ramos, 18h
Vitória – Pracinha de Itararé, 17hs
Natal – Shopping Midway, 17h