
O jornalista Cley Medeiros e a Ponte Jornalismo vêm a público esclarecer o debate recente sobre a cobertura jornalística da ação policial no Centro Religioso Mina Jêje-Nagô, em Manaus.
As partes reconhecem que as duas reportagens decorreram de apurações independentes sobre o mesmo caso. Cley Medeiros publicou sua reportagem em 21 de julho. A Ponte Jornalismo publicou a sua em 28 de julho, sem conhecimento da reportagem anteriormente publicada.
A cobertura da Ponte sobre o caso, no entanto, teve início em 3 de julho, com a publicação da reportagem “‘Ele disse que ia mostrar quem manda’: PM invade terreiro em Manaus e leva itens religiosos”. A reportagem publicada em 28 de julho deu continuidade a essa cobertura ao tratar de novos desdobramentos da investigação policial e, em nenhum momento, foi apresentada como uma reportagem exclusiva.
Após a publicação da reportagem de 28 de julho, o jornalista procurou a redação solicitando que fosse reconhecida a primazia de sua reportagem, publicada em 21 de julho no ICL Notícias, que revelou que a operação policial teve origem de uma única denúncia — e não em diversas denúncias, como afirmava a Polícia Militar —, baseada em alegações de “manifestações malignas”.
Naquele momento, a Ponte entendeu, por um critério editorial, que a referência não era necessária, por considerar que a reportagem publicada em 28 de julho havia sido produzida de maneira independente. Esse entendimento deu origem a uma divergência editorial entre as partes.
Ao longo das conversas que se seguiram, ambas as partes apresentaram os elementos que fundamentaram suas respectivas apurações e esclareceram os critérios que orientam suas decisões editoriais. Ao final desse diálogo, a Ponte reavaliou seu entendimento e decidiu por acrescentar à reportagem uma referência ao trabalho anteriormente publicado pelo repórter, reconhecendo o pioneirismo de sua publicação .
Cley Medeiros, por sua vez, reconhece que a reportagem publicada pela Ponte foi resultado de uma apuração própria, independente e paralela à sua, não representando apropriação de sua construção intelectual ou de seu trabalho jornalístico. Esclarece ainda que suas manifestações públicas tinham como objetivo reivindicar o reconhecimento da primazia da sua reportagem e do crédito editorial, não atribuir à Ponte Jornalismo ou ao repórter responsável qualquer conduta desonesta.
As partes reconhecem que divergências sobre critérios de atribuição de crédito em caso de apurações independentes podem existir no exercício do jornalismo e reafirmam que esse episódio não coloca em dúvida a integridade do trabalho realizado por nenhuma das partes.
A Ponte Jornalismo reafirma seu respeito ao trabalho desenvolvido por Cley Medeiros e reconhece a importância do jornalismo investigativo produzido na Amazônia. Cley Medeiros reafirma seu respeito à trajetória da Ponte Jornalismo.
As partes agradecem a disposição para o diálogo e a mediação que tornou possível este entendimento, reafirmando o compromisso comum com um jornalismo ético, rigoroso e baseado na boa-fé.
Com esses esclarecimentos, consideram o episódio encerrado.
