O jornalismo tem sido “silenciosamente” mediado pelos algoritmos há anos. A decisão da Ponte de deixar de publicar no X/Twitter reflete a nossa preocupação sobre o papel das Big Techs e IAs na relação do público com a informação

A Ponte deixou o X/Twitter. Essa foi uma decisão pensada e repensada internamente, uma vez que o X/Twitter já foi uma das maiores fontes de audiência para o nosso site. Mas isso deixou de ser verdade quando o novo dono da empresa transformou a plataforma em um campo de pretensa liberdade de expressão. Nele, todo e qualquer tipo de conteúdo absurdo passou a ser permitido. É, inclusive, uma plataforma que não respeita as leis dos países onde opera e que chegou a ser tirada do ar pela Justiça por conta disso.
Nossos membros discutiram isso no grupo de WhatsApp da Ponte. A gente também observou o que veículos parceiros do ecossistema do jornalismo independente estavam fazendo. Esperamos o tempo passar e ver no que dava, mas sem deixar a discussão de lado. Até que, em junho deste ano, deixamos de fazer postagens naquela rede, optando por usar o Bluesky como alternativa.
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Na correria do dia a dia e diante do aumento da letalidade policial em diferentes lugares, deixamos de informar essa decisão a você, leitor/a, que está aqui, perto da gente, ao assinar esta newsletter. Com este texto, a Ponte oficializa a questão e aproveitamos para fazer uma reflexão.
O jornalismo tem sido “silenciosamente” mediado pelos algoritmos há alguns anos. São essas máquinas que decidem qual informação chega até os feeds das pessoas. Com o tempo, essas plataformas passaram a privilegiar aquilo que prende você por mais tempo nelas. Por isso, temos feito carrosséis no nosso Instagram. Percebemos que, independentemente de atrair o leitor para o nosso site, precisamos entregar o conteúdo da forma que for necessária. Só assim cumprimos o nosso compromisso com os direitos humanos e com a democracia.
Desde o ano passado, um novo desafio surgiu: as IAs passaram a ser mediadoras de mecanismos de buscas como o Google. A mudança fez com que o número de visitas ao nosso site viesse reduzindo. Se o conteúdo aparece resumido para o leitor, dificilmente ele vai clicar nos links minúsculos dispostos ao lado das respostas. Isso não afetou apenas a Ponte, mas todo o ecossistema do jornalismo digital. Há algumas semanas, a Ajor (Associação de Jornalismo Digital) realizou uma roda de conversa entre seus membros sobre o tema. Foi um momento para discutirmos alternativas e aprendermos com soluções dos colegas.
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A Ponte, leitor/a, tem mais de 60% de suas visitas vindas da busca orgânica. Consegue imaginar o impacto que isso teve no alcance do que fazemos? Quando nos preocupamos com a audiência não é por capricho ou para ter “bons números” em um relatório. É porque sabemos que, quanto mais gente receber o que publicamos, maior será nosso impacto e mais poderemos influenciar o debate sobre segurança pública, direitos humanos e justiça — temas que preocupam a população brasileira há tempos.
Por isso, estamos pensando em estratégias para driblar a situação, e a mais antiga que temos é nossa newsletter. Ela chega todo santo sábado no seu email e o algoritmo não tem ingerência sobre isso. É por meio deste espaço que conseguimos conversar com você da forma mais próxima possível dentro de um ambiente digital. Também está no nosso horizonte explorar mais o WhatsApp. Já temos um canal pelo qual você recebe o nosso conteúdo na hora em que ele sai.
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