O cabo Fabio Anderson Ferreira de Almeida, acusado de matar, com tiros pelas costas, o marceneiro Guilherme Dias, de 26 anos, em Parelheiros, foi preso preventivamente sábado (16/8). Guilherme saía do trabalho quando foi alvejado

O cabo da Polícia Militar de São Paulo (PM-SP) Fabio Anderson Ferreira de Almeida foi preso no sábado (16/8), após a Justiça decretar sua prisão preventiva. Ele é réu por homicídio qualificado pela morte do marceneiro Guilherme Dias Santos Ferreira, de 26 anos. O crime ocorreu em junho deste ano, em Parelheiros, na zona sul da capital.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), Fabio foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes e teve a prisão mantida após audiência de custódia.
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Na sexta-feira (15/8), a juíza Paula Marie Konno acatou pedido do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), decretou a prisão preventiva de Fabio e aceitou a denúncia que o tornou réu por homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Guilherme foi atingido de costas enquanto corria para pegar um ônibus.
“A prisão dele para mim foi um alívio, não 100% porque isso não traz meu esposo de volta”, disse à Ponte Sthefanie dos Santos Ferreira Dias, 25, viúva de Guilherme. A expectativa dela e da família é que o policial seja condenado pelo júri popular. Em entrevista anterior à Ponte, quando a prisão ainda não havia sido decretada, Sthefanie relatou o medo que sentia por ter encontrado o policial no 25º DP (Parelheiros), onde ele ainda trabalhava, em função administrativa. Após o crime, o cabo havia sido afastado do serviço operacional, mas continuou em atividades internas.

‘Foi racismo’
Para a viúva, Guilherme foi morto por ser negro. “A forma como meu esposo morreu foi também pela cor dele. O policial assassinou meu esposo pela cor dele preta. Foi racismo e nós sempre iremos bater nessa tecla”, afirmou.
Em nota, o advogado João Carlos Campanini, que defende Fabio, classificou a prisão preventiva como uma “medida completamente descabida”. “Fábio foi vítima de roubo e agiu sob influência do medo e, ao seu entender, em legítima defesa. Eventual erro ou falha em sua atuação policial deve ser apurado à luz da presunção de inocência. Não há qualquer requisito legal para a decretação da custódia cautelar neste momento. A defesa irá buscar a liberdade”, afirmou.
Relembre o caso
O crime ocorreu em 5 de junho, na Estrada Ecoturística de Parelheiros, quando Guilherme saía do trabalho. Inicialmente, o PM alegou ter sido vítima de uma tentativa de roubo e disse ter reagido, matando um dos suspeitos. O 25º Distrito Policial instaurou inquérito para apurar o suposto roubo, e depois o caso também passou a ser investigado pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
No início de agosto, com base em imagens de câmeras, os delegados Gabriel Tadeu Brienza Vieira e Kauê Danillo Granatta afirmaram que a tese de legítima defesa perdeu força. O vídeo mostra Fabio descendo da moto com dois indivíduos — um deles de capacete. Ambos, magros e de estatura média, fogem enquanto o PM atira. Um veste moletom azul; o outro, blusa escura e capacete branco.
Em seguida, Fabio retorna ao local sem perseguir os suspeitos, e a via começa a encher-se de pessoas. Em outro momento, um homem com roupas diferentes dos supostos assaltantes — calça jeans clara, blusa escura estampada sobre camisa branca e mochila — aparece correndo na calçada oposta, pouco antes de Guilherme ser baleado.
Fabio deu três tiros em Guilherme, que estava de costas. Um deles atingiu a cabeça do jovem. O promotor Everton Luiz Zanella destacou que as imagens mostraram que Guilherme corria do lado oposto da calçada, tentando pegar um ônibus, e não se dirigia ao policial.
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O vídeo também mostra que o PM saiu do ponto em que estava para matar Guilherme, fato ressaltado pelo promotor na denúncia. Para o MP-SP, Fabio agiu por vingança.
“Trata-se de um policial militar que, demonstrando total descompasso com sua honrada função pública, matou, pelas costas, um trabalhador (Guilherme) que corria para pegar um ônibus, simplesmente por acreditar que ele poderia ser um roubador”, escreveu o promotor.