Imagens registram os principais momentos do ato ocorrido na quarta-feira (10/9) contra a prisão de lideranças comunitárias do Moinho. Policiais militares atacaram jornalistas e prenderam um advogado dos moradores
Na quarta-feira (10/9), moradores da favela do Moinho, na região central de São Paulo, protestaram contra a operação Sharpe, deflagrada dois dias antes pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) com apoio da Polícia Civil e da Polícia Militar (PM-SP), que cumpriu mandados de prisão contra dez pessoas — incluindo duas líderes de uma associação de moradores da comunidade, Alessandra Moja Cunha e a filha dela, Yasmim Moja Flores.
A Ponte acompanhou o ato, que teve presença ostensiva de policiais, que chegaram a prender o ex-deputado estadual Fernando Ferrari, interlocutor da associação de moradores do Moinho, usaram gás de pimenta contra os manifestantes e dispararam bombas na direção da imprensa — uma delas explodiu ao lado da repórter Catarina Duarte. Naquele momento, os moradores bloqueavam a Avenida Rio Branco, no bairro do Bom Retiro, que é vizinha à comunidade.
Antes de chegar à Avenida Rio Branco, o protesto percorreu vielas da favela, onde o cenário que se pode ver é desolador. O processo de descaracterização conduzido pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), que consiste na retirada de portas e janelas dos imóveis já vazios, avançou nos últimos meses. Há entulho espalhado pelo local, no qual passeiam ratos e baratas. E a iluminação pública da comunidade foi cortada — apenas a luz dos barracos ainda ocupados permite alguma visibilidade à noite.
Como a Ponte mostrou anteriormente, moradores atuais e pessoas que já deixaram o Moinho temem que, com a prisão das líderes comunitárias — que eram as interlocutoras da favela junto às autoridades —, o acordo para entrega do imóvel gratuito não seja cumprido. O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) chegou a atribuir à União a demora para o cumprimento da promessa. Segundo a gestão estadual, 537 mudanças já foram realizadas, com pagamento de auxílio-moradia de R$ 1,2 mil, custeado pelo estado e pela prefeitura Ricardo Nunes (MDB).
Já o governo Lula (PT) afirma já ter garantido mais de R$ 160 milhões para assegurar o acordo, sem detalhar, no entanto, prazo para isso.
Em maio, foi firmado um pacto entre os governos estadual e federal para a concessão de uma carta de crédito de R$ 250 mil a cada família, subsidiada pelos programas Minha Casa, Minha Vida (R$ 180 mil da União) e Casa Paulista (R$ 70 mil do Estado), a fim de que adquirissem um imóvel próprio. O anúncio foi celebrado como uma vitória da resistência da comunidade, que rejeitava a proposta inicial de Tarcísio — antes, as famílias teriam de assumir um financiamento subsidiado, que elas dizem inviável financeiramente.
