PMs acusados de matar estudante de medicina vão a júri em São Paulo

Policiais militares Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado responderão por homicídio qualificado pela morte de Marco Aurélio Cárdenas Acosta, de 22 anos, baleado durante abordagem na Vila Mariana

Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos, foi baleado à queima roupa por um policial militar em novembro do ano passado | Foto: Arquivo pessoal
Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos, foi baleado à queima roupa por um policial militar em novembro do ano passado | Foto: Arquivo pessoal

Os policiais militares Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado vão a júri popular pela morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cárdenas Acosta, de 22 anos, ocorrida em 20 de novembro de 2024, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.

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Eles responderão por homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. A decisão é da juíza Luiza Torggler Silva, da 4ª Vara do Júri do Foro Central Criminal, publicada neste sábado (21/2).

Embora apenas um dos policiais tenha efetuado o disparo, a Justiça entendeu que ambos devem responder por homicídio qualificado, ao considerar que houve atuação conjunta na abordagem que resultou na morte do estudante.

A magistrada rejeitou os pedidos de absolvição sumária apresentados pelas defesas dos PMs. Segundo a juíza, não há prova inquestionável de legítima defesa e existem indícios suficientes de autoria.

Apesar da decisão, os dois réus vão responder ao processo em liberdade, já que a juíza entendeu que não há fundamentos para a decretação da prisão preventiva.

Em áudio enviado à Ponte, o médico e professor da Universidade de São Paulo (USP) Júlio Navarro, pai de Marco Aurélio, afirmou que a decisão representa “uma batalha vencida”. Ele criticou, no entanto, o fato de os réus poderem responder ao processo em liberdade.

“Hoje é um dia de uma batalha vencida no sentido de que uma juíza determinou, com toda a razão, enviar os dois PMs ao Tribunal do Júri, mas manteve a liberdade deles. Dentro do processo, seria a quinta vez que essa liberdade é mantida”, disse.

Estudante foi morto desarmado

Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Marco Aurélio estava desarmado e passou a ser perseguido após dar um tapa no retrovisor de uma viatura policial. Ele correu para um hotel, onde, de acordo com a acusação, foi encurralado pelos dois policiais armados.

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Segundo o MP-SP, Bruno Carvalho do Prado desferiu um chute contra o estudante, enquanto Guilherme Augusto Macedo efetuou o disparo que atingiu Marco Aurélio. Para o Ministério Público, o tiro foi uma retaliação, e não uma ação em legítima defesa.

Os policiais militares sustentaram ao longo da investigação que agiram em legítima defesa. Segundo seus relatos, Marco Aurélio estava alterado e aparentava estar embriagado. O jovem teria resistido à abordagem e entrado em luta corporal. Ainda de acordo com os agentes, ele teria tentado pegar a arma de um dos policiais. Imagens das câmeras corporais dos PMs, no entanto, não registraram nenhuma tentativa da vítima de subtrair a arma dos policiais, contrariando a versão apresentada..

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Guilherme afirmou que mirou na perna da vítima, mas que o disparo atingiu a região da cintura em razão da dinâmica da ação. A dupla afirmou que havia uma taser — dispositivo de eletrochoque considerado de menor potencial ofensivo — na viatura, mas que o equipamento não foi utilizado por falta de tempo hábil ou por não haver eficácia na situação.

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